RA
Ra designa o canto.
Na vida social bororo, os cantos ocupam posição de grande destaque e consomem parte significativa do tempo cotidiano.
Aprendizagem
Os meninos aprendem os cantos desde pequenos com o pai e depois continuam o aprendizado na sociedade dos homens.
São muito estimados aqueles que possuem dicção clara e voz forte, e utilizam-se inclusive remédios (erubo) para melhorar a voz.
Execução
Os cantos podem ocorrer em qualquer hora do dia ou da noite e em qualquer lugar, embora os locais próprios sejam:
- o bai mana gejewu (casa central)
- o bororo (pátio da aldeia)
São executados com grande seriedade; os cantores mantêm os olhos fechados, sobretudo os mestres de canto.
Algumas composições duram horas.
Podem ser interrompidas para descanso, mas frequentemente os maracás continuam sendo agitados durante as pausas.
Participação
O canto é essencialmente masculino.
Em certas ocasiões mulheres acompanham emitindo sons semelhantes a eco, sem pronunciar as palavras, embora algumas conheçam muitos cantos.
Instrumentos
Para marcar o ritmo utilizam-se:
- bapo kurirewu — grande maracá (especialmente funerais)
- baporogu — pequeno maracá (outros contextos)
Também podem aparecer:
- oika
- iworeboe
- parira
- pana (instrumentos de sopro)
- ka (tamboril)
Tipos de canto
Principais grupos:
- cantos fúnebres
- cantos de caça e pesca
- cantos de festas sociais (ex.: perfuração do lábio das crianças)
Podem ser:
- diurnos ou noturnos
- executados de pé ou sentados
Há cantos comuns a toda a tribo e outros privativos de cada clã.
Não existem composições especificamente de guerra.
Terminologia
Na linguagem comum:
- boe eke roia — o canto (usando classificador de alimento)
- boe eke roia ko — executar o canto