Mea

Tabaco, fumo, charuto ou cigarro; também presente, dádiva ou generosidade.

MEA

Mea designa tabaco, fumo, charuto ou cigarro e, por extensão, presente, dádiva ou generosidade.


Uso do fumo

O costume de fumar entre os Bororo é antiquíssimo.
Originalmente era restrito aos velhos, ao aroe etawara are (“xamã das almas”) e ao bari (“xamã dos espíritos”).

As folhas usadas para fabricar charutos pertenciam a vários vegetais, incluindo o tabaco (Nicotiana tabacum).
Não se sabe ao certo como conheceram esse fumo, mas uma tradição afirma que foi encontrado em estado nativo no cume do Meari (“morro do tabaco”), nas proximidades da atual cidade de Poxoréu. Depois disso, abandonaram os outros tipos.


Plantas fumadas antes do tabaco

Além do tabaco, fumavam folhas de origem lendária:

  • uma, primacial do clã Paiwoe, encontrada no ventre do peixe kudogo (“abotoado”);
  • outra, primacial do clã Bokodori Ecerae, nascida das cinzas de um sucuri lendário cremado.

Também fumavam:

  • puga (“sarandi”)
  • pogodori, variedade de dioscórea da floresta

Os charutos eram enrolados em folha de araticum das várzeas.


Situação atual

Hoje o uso do tabaco é generalizado e exclusivo, inclusive entre mulheres, por ser mais apreciado e mais forte.

Não é mascado, exceto em picadas de cobra: engole-se o sumo e esfrega-se a ferida.

O uso do rapé é desconhecido.

Referências

  1. Albisetti, César and Ángelo J. Venturelli (1962a). *Enciclopédia Bororo I*. Museu Regional Dom Bosco.

Ver também

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