Boadody

Boadody - Enciclopédia Bororo

Boadody Estendido, aplainado, brincado, passeado; cavado; discurso noturno; pregação (neol.). Esta é a forma própria para indicar quaisquer discursos, inclusive os noturnos. Nestes, sempre prolixos, o orador relata os acontecimentos e as notícias do dia, narra lendas e, se é chefe, dá avisos ou faz admoestações.

São declamados com oratória peculiar, em voz estentórea e tipicamente modulada, frequentemente interrompidos pela assistência com longos e repetidos: uw 'sim', e assobios de aprovação e alegria, quando o assunto assim merece. O silêncio e os comentários privados indicam desaprovação. Às vezes vários oradores falam sucessivamente, sentados sobre esteiras ou peles de animais, perto do bai mana gejéwy 'choupana central' ou da própria choupana.

Estimadíssimo é quem possui bela voz, sonora e flexível nas modulações. Os ouvintes, aparentemente distraídos e alheios ao discurso, continuam seus afazeres e seu descanso ao redor do próprio fogo, fora ou dentro da choupana, manifestando, também nessa circunstância, aquela inconcussa liberdade que caracteriza todas as fases da vida indígena. Fatores de ordem moral e cívica são as paternais repreensões e avisos noturnos, especialmente se o orador possui predicados físicos e éticos que o agigantem aos olhos e à estimação de seus companheiros.

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