boe 'coisa’ + a (ai) 'folha de palmeira’. Designações:
- um folíolo ou semifolíolo de broto de babaçu;
- estojo peniano quotidiano;
- certo tipo de boe etao kajejewu (‘coroa dos bororo’);
- casa;
- aldeia.
Noções sobre o ba (estojo quotidiano) e seu uso
O homem bororo tem, como única e indispensável indumentária, uma espécie de cartucho feito com um semifolíolo de broto de palmeira babaçu, dobrado em nó sobre si mesmo. Depois de iniciado, o homem nunca aparece em público sem o bá. Ele é amarrado firmemente na extremidade do pênis para manter o prepúcio sobre a glande, de tal modo que o prepúcio sobressai do bá e fica como que por ele fortemente estrangulado.
Observação etnobotânica (babaçu): Babaçus na margem direita do rio Taquari, perto da cidade de Coxim. Seus palmitos e cocos são usados na alimentação e seus brotos na confecção de trabalhos de cestaria. Suas folhas são empregadas na construção das choupanas.
Estojo peniano festivo
O estojo peniano chamado aqui de “festivo” é o mesmo cartucho, mas com o folíolo prolongado em forma de fita, que termina em “cauda de andorinha” ou em ponta mais ou menos aguda. É conhecido comumente como baera (‘borboleta’), embora o nome considerado correto seja baerarewu (‘objeto semelhante à borboleta’). Às vezes, especialmente durante as festas, pode ser ornamentado com pinturas, penugem e desenhos geométricos, ou mesmo com figuras de animais.
Esse é descrito como o único objeto dos bororo que leva motivos faunianos. Para a imposição do bá aos adolescentes: ver ipáre eno o badodu (‘imposição do estojo peniano aos moços’) e báera (‘estojo peniano festivo’).
Observações
Antigamente, o bá era privativo do clã dos Aroroe; posteriormente, esses o cederam também aos membros dos outros clãs. Os adolescentes da metade dos Ecerae podem, por direito, recebê-lo com menos idade do que os da metade dos Tugarege. Para indicar a posse do bá, diz-se: ino o ba (‘meu estojo peniano’).