Mori

Mori Vingança, recompensa, retribuição; pagamento (neol.).

l. Mori: vingança

Mori: recompensa

Mori: vingança pela marte de alguem

Mori: vingança Esta f

é usada para indicar vingança no sentido mais óbvio da palavra. p. ex. kajao, morimode 'espera: vingar-me-ei'.

Mori : recompensa A recompensa ou retribuição por um favor ou por um objeto recebido é urna obrigação

tao forte e tradicional, que ninguém pode e deve preterir. Quem por acaso esquecesse voluntária ou involuntariamente essa regra seria alvo do escarnio e do desprezo de todos. A pessoa que recebe um favor ou um objeto deve impreterlvelmente retribuir com alguma coisa, em geral a seu arbítrio ou, as vezes, por deter, minação de tradição.

A f. mori, além dessa acepção, tem outras muito mais amplas e pode corresponder a presente, dádiva, reparação de danos causados, agrado, mimo. Alguns exemplos esclarecerao esses conceitos. Se um cão morder alguém, este nao deve ofender-se mas confiante aguarda o mori por parte do dono do animal.

Se o mori, que consiste numa espalmação de pasta vermelha de urucu, demora, então o ferido se considera ofendido e o proprietário do cão deixa de absolver uma de suas obrigações sociais. Quando duas crianças altercam e urna leva a pior, esta, como mori, deve ser espalmada de pasta vermelha de urucu pelo pai da que causou a ofensa. Se urna criança, tropeçando em algo, se fere, a mae ou outra pessoa ou a própria criança executam o mori. conveniente, batendo o objeto contundente.

Se alguém estraga ou perde um objeto de outrem deve dar-lhe como paga um mori. Quando alguém se magoa, caindo de urna árvore ou picado por urna cobra, os parentes oferecem-lhe um mori, tingindo-o de pasta vermelha de urucu e revestindo-o de plumas. Nas caçadas ou pescarias oficiais em que toma parte algum iadu, representante do defunto para o qual é feita a excursão, se aquele sofre algum ferimento, os parentes do defunto devem chorar e scarificar-se deixando cair sangue sobre ele.

Este, por sua vez, tendo sarado, deve retribuir o mori com outro mori, espalmando de urucu todos que choraram e que se escarificaram. - Quando alguém, do qual se havia perdido qualquer notícia, volta a aldeia depois de longa ausência, entoa-se logo o canto Roia kurirewu, reservado aos defuntos, e no dia seguinte espalma-se o recém-chegado de pasta vermelha de urucu. 1 Deve-se notar que o bororo muitas vezes, quando dá algum presente, por um sentimento de delicadeza e elegancia, diminui o valor do objeto doado e procura dissuadir o presenteado da necessidade de urna retridbuição. Tais expressões porém, não passam de urna fórmula de galantaria a qual ninguém acredita e obedece.

Essas leis de recompensa nao vigoram, porém, entre bororo e civilizados ou, melhor, tem um valor apenas unilateral: o bororo não se sente obrigado a retribuir presentes aos civilizados mas destes espera abundantes pagas. O motivo que aduz é a abundância de objetos que os brancos possuem. Os velhos e os doentes graves sao dispensados do mori; agradecem, como de costume, apertando fortemente o objeto e a mao do doador.

Mori: vingança pela morte de alguem Quando um bororo morre é escolhido um seu representante denominad

o aroe maiwu 'alma nova, ou iadu, companheiro, cuja obrigaçãão principal é vingar a morte do representado, abatendo urna onça cujo couro será dado a um parente do defunto. Esta onça é denominada mori, vingança ou retribuição, barege ekodody 'banquete das feras'. Deve-se observar que os índios acreditam que a morte seja causada por um bope, espírito mal- fazejo, e que a onça seja um bope.

Matando o felídeo eliminam um bope, efetuando assim urna vingança.

Examples
"agradecem"
como de costume, apertando fortemente o objeto e a mao do doador. 3. Mori: vingança pela morte de alguem Quando um bororo morre é escolhido um seu representante denominado aroe maiwu 'alma nova, ou iadu, companheiro, cuja obrigaçãão principal é vingar a morte do representado, abatendo urna onça cujo couro será dado a um parente do defunto. Esta onça é denominada mori, vingança ou retribuição, barege ekodody 'banquete das feras'. Deve-se observar que os índios acreditam que a morte seja causada por um bope, espírito mal- fazejo, e que a onça seja um bope. Matando o felídeo eliminam um bope, efetuando assim urna vingança. Mori Vingança, recompensa, retribuição
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