Mano kurirewu

Mano kurirewu -- Ritual Boe-Bororo das duas rodas grandes de talos de caeté (Helicônia). Awyre pemegare! Mano Kurirewu pemegare! Boe eegarere boe etaidyre Assim falou o chefe cultural Bororo Antônio Kanajó na festa do Mano Kurirewu em Meruri no ano de 1995: "Este é bom! Mano Kurirewu é bom! O povo se alegra, o povo gosta!"

Este ritual também, como muitos dos rituais dos Boe-Bororo, está ligado ao culto dos finados e mostra a força, a valentia e a alegria do povo. Mas ele geralmente acontece fora do ritual fúnebre. É celebrado no findar da época do butao butu época da chuva', e nos meses de março ou abril, antes do joro butu akiridoge 'época da seca, época do fogo,' quando aparece a constelação das Plêiades.

Nesta época o caeté ou piripiri, planta com raízes na água, no brejo e o talo fora dela, está no seu vigor e depois vai secando, morrendo. Morre mas debaixo da água recomeça a brotar. Por isso é um grande elemento simbólico da cultura Boe-Bororo.

No ritual é chamada de aroe mano ou aiadu 'alma, parente.' Em todo ritual dos Boe-Bororo há sempre elementos da natureza que entram e fazem um papel importante do ritual e são chamados de aroe 'Almas.' O ritual acontece resumidamente assim: vendo que o Mano está no ponto para ser cortado, as lideranças decidem fazer a festa. Primeiro se escolhe o finado que se quer homenagear, depois as duas metadades, o Ecerae e os Tugarege com a seda dos brotos de tucum preparam as cordas para amarrar os talos do Mano.

Hoje é mais rápido comprar as cordas já prontas no mercado. Como na cultura dos Boe-Bororo tudo é estruturado, organizado na terra e também no céu, a festa do Mano é privativa do clã dos "Aroroe," o clã da "lagarta preta listada de amarelo." Os homens e os jovens já iniciados vão na lagoa do Mano. Um dos "Aroroe" corta um talo, bate na água e todos gritam:" Waaaahh!" Cortam o Mano, amarram em feixes, carregam no ombro e levam na casa central da aldeia, o "Baito." ''Ecerae" de um lado e "Tugarege" do outro.

Por toda a noite os cantos sobre o Mano ressoam por toda a aldeia. De manhã cedo chegam as mulheres das duas metades e correndo levam o Mano ao longo da mano reia 'estrada do Mano,' até o mano pa 'pátio do Mano.' Na tardinha chegam os jovens e os homens, cortam o Mano e formam duas rodas de talos todos iguais. Para amarrar bem precisa bater forte com um pau fornecido pelo "Aroroe" no lugar onde serão amarradas as duas cordas.

Assim fazendo se evitará que o Mano se desmanche durante a corrida. Uma vez prontas as duas rodas sã colocadas uma ao lado da outra. Então um "Aroredu" pega pelas mãos de alguns que vão dançar em volta das rodas enquanto o mestre de canto canta os adornos feitos de penas de arara e a penugem branca que outros estão colocando em cima das duas rodas.

Depois disso acontece a grande corrida do Mano. Ela é bonita quando as duas metades se desafiam uma com a outra se alternando na frente. Não é bonito quando uma metade vai embora deixando a outra para trás.

O mesmo se diz das corrida das mulheres de manhã. Mas o importante é que quem chega primeiro na praça da aldeia seja da metade oposta do finado ao qual é dedicada a corrida. Assim é a lei dos Boe-Bororo, a reciprocidade.

Chegando as duas rodas no meio de muita alegria se executa o canto final. Então as mulheres podem sair de suas casas e participar da festa. Podem também elas ensaiar uma corrida do Mano para ver quem vai vencer.

A troca de alimentos entre Ecerae e Tugarege encerra o ritual do Mano. No dia seguinte os homens levarão o Mano para o rio pedindo aos Aroe 'almas' que mandem muitos peixes para os Boe-Bororo.

Examples
"Este ritual também"
como muitos dos rituais dos Boe-Bororo, está ligado ao culto dos finados e mostra a força, a valentia e a alegria do povo. Mas ele geralmente acontece fora do ritual fúnebre. É celebrado no findar da época do butao butu época da chuva', e nos meses de março ou abril, antes do joro butu akiridoge 'época da seca, época do fogo,' quando aparece a constelação das Plêiades. Nesta época o caeté ou piripiri, planta com raízes na água, no brejo e o talo fora dela, está no seu vigor e depois vai secando, morrendo. Morre mas debaixo da água recomeça a brotar. Por isso é um grande elemento simbólico da cultura Boe-Bororo. No ritual é chamada de aroe mano ou aiadu 'alma, parente.' Em todo ritual dos Boe-Bororo há sempre elementos da natureza que entram e fazem um papel importante do ritual e são chamados de aroe 'Almas.' O ritual acontece resumidamente assim: vendo que o Mano está no ponto para ser cortado, as lideranças decidem fazer a festa. Primeiro se escolhe o finado que se quer homenagear, depois as duas metadades, o Ecerae e os Tugarege com a seda dos brotos de tucum preparam as cordas para amarrar os talos do Mano. Hoje é mais rápido comprar as cordas já prontas no mercado. Como na cultura dos Boe-Bororo tudo é estruturado, organizado na terra e também no céu, a festa do Mano é privativa do clã dos "Aroroe," o clã da "lagarta preta listada de amarelo." Os homens e os jovens já iniciados vão na lagoa do Mano. Um dos "Aroroe" corta um talo, bate na água e todos gritam:" Waaaahh!" Cortam o Mano, amarram em feixes, carregam no ombro e levam na casa central da aldeia, o "Baito." ''Ecerae" de um lado e "Tugarege" do outro. Por toda a noite os cantos sobre o Mano ressoam por toda a aldeia. De manhã cedo chegam as mulheres das duas metades e correndo levam o Mano ao longo da mano reia 'estrada do Mano,' até o mano pa 'pátio do Mano.' Na tardinha chegam os jovens e os homens, cortam o Mano e formam duas rodas de talos todos iguais. Para amarrar bem precisa bater forte com um pau fornecido pelo "Aroroe" no lugar onde serão amarradas as duas cordas. Assim fazendo se evitará que o Mano se desmanche durante a corrida. Uma vez prontas as duas rodas sã colocadas uma ao lado da outra. Então um "Aroredu" pega pelas mãos de alguns que vão dançar em volta das rodas enquanto o mestre de canto canta os adornos feitos de penas de arara e a penugem branca que outros estão colocando em cima das duas rodas. Depois disso acontece a grande corrida do Mano. Ela é bonita quando as duas metades se desafiam uma com a outra se alternando na frente. Não é bonito quando uma metade vai embora deixando a outra para trás. O mesmo se diz das corrida das mulheres de manhã. Mas o importante é que quem chega primeiro na praça da aldeia seja da metade oposta do finado ao qual é dedicada a corrida. Assim é a lei dos Boe-Bororo, a reciprocidade. Chegando as duas rodas no meio de muita alegria se executa o canto final. Então as mulheres podem sair de suas casas e participar da festa. Podem também elas ensaiar uma corrida do Mano para ver quem vai vencer. A troca de alimentos entre Ecerae e Tugarege encerra o ritual do Mano. No dia seguinte os homens levarão o Mano para o rio pedindo aos Aroe 'almas' que mandem muitos peixes para os Boe-Bororo. Mano kurirewu -- Ritual Boe-Bororo das duas rodas grandes de talos de caeté (Helicônia). Awyre pemegare! Mano Kurirewu pemegare! Boe eegarere boe etaidyre Assim falou o chefe cultural Bororo Antônio Kanajó na festa do Mano Kurirewu em Meruri no ano de 1995: "Este é bom! Mano Kurirewu é bom! O povo se alegra, o povo gosta!"

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