Maguru

Viagem coletiva sazonal para caça, pesca e coleta, com construção temporária de aldeias.

MAGURU

Maguru (ba “aldeia” + guru “multidão”) designa o período em que os Bororo realizam deslocamentos coletivos prolongados, estabelecendo sucessivas aldeias provisórias.

Corresponde a uma viagem coletiva associada principalmente à caça e à coleta.


Deslocamento sazonal

Ocorre sobretudo durante a estação seca (maio–setembro).

Uma aldeia inteira, ou parte dela, desloca-se para região previamente conhecida.
A excursão assemelha-se a uma verdadeira mudança:

  • as mulheres transportam todos os pertences domésticos
  • novas habitações podem ser montadas a qualquer momento
  • a ocupação é provisória mas organizada

Aldeias temporárias

Mesmo provisórias, seguem a organização tradicional:

  • divisão em clãs e metades
  • orientação espacial ritual
  • praça central definida

Raramente é construída a casa central bai mana gejewu, mas o lugar dos homens é sempre marcado.

Isso demonstra que a estrutura social não depende da permanência da aldeia — ela é recriada onde quer que o grupo esteja.


Finalidade econômica

A principal finalidade do maguru é produtiva:

Homens:

  • caça abundante
  • pesca

Mulheres:

  • coleta de vegetais
  • coleta de mel

Significado social

O maguru não é simples nomadismo.
Trata-se de um padrão tradicional de ocupação territorial que permite explorar diferentes ambientes ao longo do ano.

O deslocamento sazonal:

  • renova recursos naturais
  • mantém conhecimento do território
  • reforça relações sociais entre grupos

A aldeia, portanto, não é um lugar fixo, mas uma forma social que pode ser reconstruída em qualquer ponto do espaço tradicional.

References

  1. Albisetti, César and Ángelo J. Venturelli (1962a). *Enciclopédia Bororo I*. Museu Regional Dom Bosco.
  2. Viertler, Renate Brigitte (1976). *As Aldeias Bororo: Alguns Aspectos de Sua Organização Social*. USP.

See also

← Back to encyclopedia