Ae

O termo ae, plural de ao (‘cabelo, cordel de cabelos humanos’), designa tanto os cabelos humanos quanto, por extensão, os pelos de felídeos e certas folhagens de palmeiras. O conceito está diretamente associado a práticas rituais funerárias, especialmente à extirpação dos cabelos durante a agonia e após a morte de um indígena.

Extirpação dos cabelos durante a agonia de um indígena

Modalidades

Durante a agonia de um indígena, seus parentes iniciam de forma gradual a extirpação dos próprios cabelos, prática que prossegue após o falecimento. Os cabelos retirados são cuidadosamente conservados em um baku, uma bandeja confeccionada com trançado de brotos de palmeira. Concluídos os funerais, esses cabelos são entregues ao iadu, o representante ritual do defunto.

Este, por sua vez, repassa o material a uma irmã própria, que o entrega a um cunhado encarregado de fiar os cabelos, preparando-os para uso ritual posterior.

Uso dos cabelos extirpados

O iadu pode utilizar o ae como uma coroa, que então recebe a denominação aopega (‘cabelo postiço’). No entanto, esse uso é permitido apenas após o iadu ter abatido um jaguar como mori (‘retribuição ritual’). Antes de cumprir esse requisito, o ae é utilizado enrolado no antebraço esquerdo; caso o iadu pertença ao clã dos Iwagudoudoge, o enrolamento é feito no antebraço direito.

Para informações mais detalhadas sobre essas práticas e seus desdobramentos rituais, remete-se à entrada itaga (‘funeral’).

← Back to encyclopedia